O Nubank é uma das maiores fintechs do mundo, mas não foi capital que o transformou nisso. Num conteúdo publicado pelo Instituto B55 por volta de 14 de julho de 2026, o fundador David Vélez resume em quatro conselhos o que fez o banco virar o que virou. O detalhe interessante para quem toca uma PME: nenhum dos quatro depende de ter bilhões em caixa. São quatro escolhas que o dono de qualquer empresa pequena pode começar a fazer amanhã de manhã.

Vamos aos quatro — do mais abstrato ao mais direto ao caixa — traduzindo cada um do "modo Nubank" para o "modo empresa da esquina". O último, o que dá título a este texto, é o que mais mexe com o bolso.

Conselho 1 — Cultura é a única coisa que ninguém copia

Segundo o post, Vélez costuma dizer que, com dinheiro e tempo, dá para copiar quase qualquer coisa — um site, um produto, uma tecnologia — menos cultura. E cultura, no jeito dele, não é a frase bonita na parede: é a forma como a empresa faz as coisas e toma decisões no dia a dia, sobretudo quando o dono não está olhando.

Para a PME, isso é mais concreto do que parece. Cultura é o que o seu funcionário faz quando um cliente reclama e você não está por perto: ele resolve ou empurra? A cultura que você constrói hoje, no exemplo que dá e no que tolera, é a vantagem que o concorrente com mais dinheiro não consegue comprar. Você não precisa de um manual de 40 páginas — precisa ser coerente entre o que fala e o que faz.

Conselho 2 — Decida por princípio, não só por oportunidade

Aproveitar uma boa hora do mercado é importante, mas, no relato, Vélez defende que toda decisão relevante esteja amarrada aos princípios e aos objetivos de longo prazo da empresa. O motivo é simples: a oportunidade de hoje muda amanhã. Quem decide só olhando a onda do momento acaba preso a escolhas das quais depois se arrepende.

Na PME, isso vira um exercício de uma tarde: escreva cinco a sete princípios inegociáveis do seu negócio — como você trata cliente, como você cobra, o que você nunca faz para fechar uma venda. Da próxima vez que aparecer uma "oportunidade imperdível", passe ela por esse filtro. Se contraria um princípio, quase sempre o arrependimento vem depois. Decisões viram mais fáceis quando existe uma régua fixa para medir — e algumas dá para tomar rápido justamente porque dá para voltar atrás.

Conselho 3 — Comece micro, escale só depois de aprender

Aqui o post traz um exemplo concreto. Segundo o relato do Instituto B55, na primeira tentativa de abrir operação no México, o Nubank mandou cerca de 20% do time — e o resultado não foi bom. Dois anos depois, voltaram com por volta de 5% do time e, dessa vez, deu certo. A lição: apostar 20% da força do seu núcleo em algo novo coloca o negócio inteiro em risco antes de você ter aprendido se aquilo funciona.

Para o dono de PME, o conselho é ouro e vale para todo lançamento novo — um produto, uma filial, uma linha diferente. Em vez de mobilizar meio time, dedique uma ou duas pessoas, combine um teste de 90 dias com uma hipótese clara e, principalmente, defina antes qual é o critério de morte: o que precisa acontecer (ou não acontecer) para você encerrar sem dó. Escalar cedo demais é como a PME brasileira mais quebra caixa — e depois culpa o mercado.

Conselho 4 — Cliente apaixonado é o melhor LTV que existe

Antes da frase, um esclarecimento sem economês: LTV é só o total que um cliente deixa com a sua empresa ao longo de todos os anos em que ele fica com você. Um cliente que compra uma vez e some vale pouco; um cliente que fica dez anos vale uma fortuna — e custa muito menos do que sair caçando cliente novo o tempo todo. Se você quer aprofundar essa conta, vale entender a relação entre LTV e o custo de aquisição.

O exemplo que Vélez dá, segundo o post, é o que gruda. Um bug no sistema deixou de disparar os e-mails que lembravam o cliente de pagar a fatura em dia — e vários acabaram pagando juros por causa da falha. Vélez fez questão de corrigir o problema e reembolsar todos esses clientes. Custou dinheiro no curto prazo. Mas o cliente que passa por um gesto desses pensa duas vezes antes de trocar de banco — e é aí que mora o LTV de verdade.

Para a PME, a tradução é direta: quando um cliente reclama e você resolve melhor do que ele esperava, você não teve um prejuízo — você acabou de comprar anos de fidelidade por um gesto pequeno. O erro comum é olhar cada atendimento como custo do mês, em vez de investimento no cliente que fica. Captar cliente novo é o balde furado mais caro que existe; o dinheiro de verdade está em não deixar o cliente bom vazar — algo que os sinais de churn e NPS ajudam a enxergar antes do cancelamento.

Nenhum dos quatro conselhos custa capital. Custam disciplina: ser coerente, decidir por princípio, começar pequeno e tratar o cliente que reclamou como o ativo mais caro que você tem.

Onde o Otz.ai entra nisso

É justo separar o que é filosofia do que é ferramenta. Os quatro conselhos do Vélez são atitude de dono — nenhum software os aplica por você. O que um sistema como o Otz.ai pode fazer é tirar a névoa dos números para que essas decisões parem de ser no escuro: mostrar num lugar só quem são os seus clientes que mais ficam, onde o caixa aperta quando você aposta em algo novo cedo demais e qual é o custo real de perder um cliente bom para nunca mais.

O Otz não vai definir a cultura da sua empresa nem escrever os seus princípios — isso é seu. Mas a tese dele é ser a camada onde o "modo cliente apaixonado" deixa de ser intuição e passa a ter número por baixo: quanto vale reter, quanto custa perder, quando começar pequeno faz sentido. Começa pelo financeiro, porque é o número que transforma um bom conselho em decisão que você consegue defender.

Os quatro conselhos, para aplicar já

  1. Cultura: pense num momento recente em que um cliente reclamou e você não estava por perto. O que o seu time fez conta a sua cultura real — não o quadro na parede.
  2. Princípios: escreva cinco a sete regras inegociáveis do seu negócio e passe a próxima "oportunidade imperdível" por esse filtro antes de dizer sim.
  3. Comece micro: antes do próximo lançamento, defina três coisas — quantas pessoas, qual teste de 90 dias e qual o critério para encerrar sem dó.
  4. Cliente apaixonado: escolha um cliente que teve um problema recente com você e resolva melhor do que ele espera. Isso não é custo do mês — é LTV que você acabou de comprar.
Conteúdo informativo de gestão. Os quatro conselhos, a frase sobre cultura, o caso do México (cerca de 20% do time na primeira tentativa e por volta de 5% na segunda) e o episódio do bug com o reembolso aos clientes são atribuídos à publicação do Instituto B55 sobre David Vélez citada nas fontes; não são afirmações do Otz.ai. "Uma das maiores fintechs do mundo" é uma descrição qualitativa, sem número de valuation. Cada empresa tem o seu contexto — use como ponto de partida, não como receita pronta. Última revisão: 15 de julho de 2026.

Fontes: Instituto B55 (@institutob55) — publicação no Instagram de aproximadamente 14 de julho de 2026 sobre os quatro conselhos de David Vélez, fundador do Nubank.